26 de abr de 2010

Favor não acordar o desenhista!

zzzzzzzzzzzzzzz
ilustração que fiz para o Diário Oficial do Estado de São Paulo, Executivo, Caderno 1.
Publicado em 24 de abril de 2010. (acho que me entreguei nessa, hahaha)



Cuidado, dormir fora de hora pode ser sinal de doença do sono

Portador da narcolepsia tem seis vezes mais chance de se envolver em acidente de trânsito; atinge qualquer pessoa
Atenção, se você constantemente tem dificuldade de realizar atividades domésticas, do trabalho ou da escola, devido a um forte e insistente sono, cuidado! É possível que tais sinais indiquem a presença de uma doença pouco conhecida chamada de narcolepsia, que atinge uma em cada 40 mil pessoas no mundo.
O Ambulatório do Grupo de Pesquisa Avançada em Medicina do Sono, ligado ao Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), alerta que se o sono é constante e incontrolável a pessoa deve procurar orientação de neurologista. Essa unidade do HC atende cerca de 2 mil pacientes de todo Brasil com problemas relacionados ao ato de dormir, sendo 10% deles por narcolepsia.
De acordo com o neurologista Rubens Reimão, a doença ocorre por um distúrbio neurológico, causado pelo déficit do neurotransmissor orexina, presente no hipotálamo. É uma espécie de estimulante que mantém a pessoa acordada. “A narcolepsia afeta o estágio mais profundo do sono (REM). O narcoléptico não cochila, ele entra repentinamente num sono pesado e, ao tentar driblar a sonolência, pode apresentar cataplexia (perda momentânea da força de alguma parte do corpo)”, explica. A cataplexia se manifesta nos braços e pernas que ficam “moles” por alguns segundos

Não é preguiça

O médico diz que a doença não é rara e pode se manifestar em qualquer pessoa. Os primeiros indícios aparecem por volta dos 20 anos, já que na infância os neurotrasmissores ainda são produzidos. “Nos primeiros anos, os sintomas são mais fortes e tendem a diminuir após algum tempo”, diz Reimão.
O neurologista informa que o portador da doença tem seis vezes mais chance de se envolver em acidente automobilístico. Apesar do perigo, ele diz que infelizmente não existe legislação específica de trânsito que aborde esse problema de saúde. “É comum o indivíduo dormir no trabalho e perder o emprego. Pode ser repreendido na escola e pelos familiares devido ao sono na hora errada e ser taxado de preguiçoso. Nesse caso, recomendo procurar o neurologista”. Dona de casa, por exemplo, pode dormir enquanto passa roupa, cozinha ou cuida das crianças e criar situação perigosa.
O Ambulatório do Grupo de Pesquisa Avançada em Medicina do Sono, do Departamento de Neurologia do HC, atende 400 pacientes por mês e recebe encaminhamento de hospitais e rede básica de saúde. A pessoa passa por triagem, realizada toda sexta-feira, das 7 às 9 horas, que funciona no Ambulatório do Sono, situado no Prédio dos Ambulatórios do HC (Rua Doutor Enéas de Carvalho Aguiar, 255).
Controlar sintomas

O tratamento inclui remédios estimulantes que a pessoa deverá tomar o resto da vida, pois não existe cura para a doença. Com a medicação, os sintomas são controlados e o indivíduo leva vida normal. “A função do medicamento é equilibrar o déficit da produção do neurotransmissor, por isso deve ser ministrado de acordo com a necessidade de cada paciente”, informa o neurologista. O ambulatório existe há 33 anos e trata os distúrbios do sono com o apoio de médicos, psicólogos, fisioterapeutas e assistentes sociais.

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